Diálogos Didáticos

Diálogos Didáticos – Profa. Dra. Marcela de Castro Ferracioli

Relato de Experiência na Carreira Docente: Aula Expositiva.

aaaaaaa

Profª. Drª. Marcela de Castro Ferracioli

Professora do Instituto de Educação Física e Esportes (IEFES)
marcelaferracioli@gmail.com

Ingressei na Universidade Federal do Ceará (UFC) em Agosto de 2014 quando tomei posse como docente dos cursos de Educação Física no Instituto de Educação Física e Esportes (IEFES). Dentre as diversas adaptações que passei ao longo desses anos (adaptação a uma nova cidade, a cultura nordestina e as atribuições do trabalho docente), a que mais me intrigou foi ministrar aulas para um grupo numeroso de alunos. Na minha experiência docente, até o momento, as turmas que eu havia ministrado aulas no Ensino Superior eram de, no máximo, 30 alunos e no IEFES as turmas variavam entre 40-60 alunos. Acostumada a utilizar slides para ministrar conteúdos das aulas de Aprendizagem Motora (4º semestre dos cursos de Educação Física), observei que a participação dos alunos na construção do raciocínio e da dinâmica da aula era muito limitada.

Sabe-se que o desempenho de um aluno em uma disciplina é dependente de uma série de fatores, como, por exemplo, interação aluno-professor, motivação do aluno, utilização de recursos tecnológicos e a maneira como o conteúdo e/ou tarefa é exposto (CYRINO & TORALLES-PEREIRA, 2004). Na literatura, ainda há contradição sobre a eficácia do método tradicional de aula expositiva, em que o professor discorre sobre um tema e pode usar ou não diferentes recursos para isso. Assim, tendo em vista a baixa participação dos alunos quando eu ministrava aulas apenas com utilização de slides, decidi ministrar um semestre de aula apenas com exposição dos conteúdos no quadro branco.

Dentre as diferentes mudanças que observei, a principal delas é que os alunos se dedicavam mais a prestar atenção às aulas, tendo em vista que elas não estavam mais “prontas” e “disponíveis” como são quando apresentadas em slides. Os alunos passaram a fazer mais anotações, mais perguntas e interagir mais comigo enquanto ministrava os conteúdos. Além disso, comparei o desempenho dos alunos de um semestre em que ministrei aulas apenas com exposição dos conteúdos nos slides com o desempenho dos alunos de outro semestre em que ministrei aulas apenas com exposição dos conteúdos no quadro branco. O resultado da comparação do desempenho dos alunos entre esses semestres mostrou que, apesar de não haver diferença significativa entre as notas obtidas nos mesmos processos de avaliação, a média das notas dos alunos que assistiram às aulas com exposição dos conteúdos no quadro branco foi superior à média das notas dos alunos que assistiram às aulas com exposição dos conteúdos em slides.

Com base nessa comparação, concluo que a dinâmica adotada quando da utilização do quadro branco (estimulação da escrita dos conteúdos e construção do raciocínio ao longo da aula) pode favorecer o desempenho dos alunos em vez daquela mais proposta pela utilização de slides “prontos”. Assim, mesmo sendo tradicional, a aula expositiva pode ser transformada em atividade dinâmica, participativa e estimuladora. Desde então, venho adotando cada vez mais a utilização da exposição dos conteúdos no quadro branco ao invés da utilização de slides para ministrar aulas na UFC.

Referência:

CYRINO, E. G; TORALLES-PEREIRA, M. L. Trabalhando com estratégias de ensino-aprendizado por descoberta na área da saúde: a problematização e a aprendizagem baseada em problemas. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 20(3):780-788, mai-jun, 2004.

Diálogos Didáticos – Profª. Drª. Mariana Monteiro Xavier de Lima

A prática do Trabalho Integrado no Curso de Design

Profa Mariana

Profª. Drª. Mariana Monteiro Xavier de Lima
Professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo
lima.mmxavier@gmail.com

A proposta de realização de Trabalhos Integrados (TIs) está prevista no Projeto Pedagógico do Curso de Design da UFC e faz parte de um conjunto de estratégias empregadas pelo corpo docente para a estruturação e desenvolvimento do curso. A integração contempla os eixos curriculares criando oportunidade para a síntese e para a abordagem interdisciplinar do conhecimento construído por meio das disciplinas. Isso se dá por meio de um problema cuja resolução exige a aplicação do conteúdo abordado em um mesmo semestre, resultando em um trabalho que é objeto de avaliação comum entre todas as disciplinas envolvidas.

Diálogos Didáticos – Profa. Dra. Maria Isis Freire de Aguiar

EXPERIÊNCIA NO CURSO DE “EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA – AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM MOODLE COMO FERRAMENTA DE AUXÍLIO EM CURSOS”

Profa Maria Isis Freire de AguiarProfa. Dra. Maria Isis Freire de Aguiar

Diante da revolução digital ocorrida nos últimos anos, tornou-se essencial a utilização de tecnologias digitais no planejamento, desenvolvimento e avaliação das práticas de ensino, reconhecendo a forma como as pessoas, a sociedade e as empresas estão se comunicando no mundo globalizado.

Diálogos Didáticos – Profa. Dra. Vanessa Louise Batista

EDUCAÇÃO E LIBERDADE: EM BUSCA DE UMA POLÍTICA EDUCADORA.

Vanessa_cobogo2

Vanessa Louise Batista

(…) os sentimentos e as ideias não podem ser legislados, sob pena do passar-se da política à tirania. (…) A tirania se instala justamente quando um indivíduo ou grupo de indivíduos procura ocupar o lugar da soberania, sob a aparência de defesa das leis coletivas. (…) Um corpo político torna-se muito frágil e fraco quando propõe um regime para o qual os hábitos dos cidadãos não estão preparados (…). A forma política depende, em todas as circunstâncias, do próprio povo e que impor-lhe um regime no qual não veja como exercer o direito natural por meio do direito civil é preparar uma política de simulacros, em que se vive como um tipo de regime, mas atua-se como se se estivesse noutro .”(Chauí, 1995, p.72)

(…) el hombre libre evita los peligros con la misma virtud de ánimo con que intenta vencerlos. (Spinosa, 1958, p. 229)

É certo que produzir um governo democrático não é tarefa fácil; e sim um desafio imenso em gerar uma Política generosa em estado perene. Tal generosidade deflagra a amorosidade, pautando-se na ideia de que “o amor é o afeto[1] alegre como percepção do aumento de nossa força para ser, agir e viver em ato” . (Chauí, apud, Espinosa 1995, p.72). Onde há tirania, não há espaço para essa afeição em governar, seja em um município, estado ou país, seja em sua própria casa, rua ou bairro onde mora.

Diálogos Didáticos – Profa. Delane Viana Gondim

A DIFÍCIL ARTE DE SER PROFESSOR DE ANATOMIA NA UNIVERSIDADE.

Profa. Delane Viana Gondim

Delane Viana Gondim

A Anatomia é uma das disciplinas básicas dos acadêmicos dos cursos da saúde que mais gera expectativas. O contato com o cadáver, aprender a localização e a forma dos órgãos internos, a expectativa da dissecação e os achados maravilhosos das variações anatômicas causam muita curiosidade.

São 760 acadêmicos que passam a cada semestre no laboratório de Anatomia do Departamento de Morfologia da UFC. Infelizmente, toda essa expectativa vira uma grande frustração. Nosso Departamento não recebe corpos há precisamente 9 anos e as peças anatômicas estão desgastadas pelo tempo e manuseio.

Diálogos Didáticos – Prof. Liandro Roger

DOCÊNCIA, PESQUISA E O FAZER ARTÍSTICO: APROXIMAÇÕES

LiandroLiandro Roger Memória Machado

     Sempre acreditei que uma boa prática acadêmica não pode ser desvinculada da dimensão empírica, vivencial do campo de estudo. Nós, docentes e pesquisadores, por vezes, vemo-nos imersos em livros, reflexões e exercícios teóricos. A despeito da importância central do pensar no fazer acadêmico, penso que a atividade intelectual deve ir além do estudo distanciado. No campo das artes e das práticas de produção de sentido, isso é mister: precisamos de uma bagagem experiencial tanto quanto precisamos da capacidade analítica e reflexiva. Precisamos “sujar as mãos” com o que estudamos se quisermos ensinar e produzir conhecimento de qualidade.

Diálogos Didáticos – Prof. Maximiliano Porto

GABARITO COMPARTILHADO

Dr. Maximiliano - para avaliar2-h150Maximiliano Porto

Todos os alunos da turma atentos, cheios de conhecimento e ávidos por discutir os temas propostos. Parece um paraíso para qualquer professor se tal quadro representar uma aula ordinária. Porém, tenho percebido tal situação em um momento tão específico quanto ímpar: a discussão do gabarito imediatamente após uma prova valendo nota.

Diálogos Didáticos – Prof. Abimaelson Santos

Afinal, o que é experiência estética?

prof abimaelson Abimaelson Santos

 

Uma educação política que pratique a educação estética e uma educação estética que leve a sério a formação política terão de esforçar-se para alcançar uma consciência capaz de superar a diferença entre a esfera do estético e a do político no seu conceito de cultura.

Ingrid Koudela

A renovação dos saberes do teatro ocorre tanto a partir da transmissão de uma determinada técnica já estabelecida, quanto do questionamento exercido sobre ela, em geral, impulsionado pela necessidade de ampliar as discussões e gerar novos conteúdos ou, ainda, da vontade de trabalhar os já existentes por meio de novas experimentações. Assim, o choque dialético entre o conhecimento estabelecido e as novas formas de pesquisa sobre teatro e educação proporcionam uma investigação rumo aos saberes desconhecidos da estética teatral. Estes, aos poucos, vão se tornando um novo saber na medida em que são experimentados, discutidos, analisados e colocados à prova através de encenações, performances, intervenções urbanas, seminários, dentre outros eventos, uma vez que os conhecimentos, sejam os já estabelecidos ou os em construção, apenas são válidos quando compartilhados e/ou disseminados.

Diálogos Didáticos – Prof. Liandro Roger

ILUSTRANDO O SMD: A CRIAÇÃO DE UM INFOGRÁFICO INTERATIVO PARA ORIENTAÇÃO DE FUTUROS ALUNOS

Liandro Liandro Roger Memória Machado

Em nossa prática docente no curso de Sistemas e Mídias Digitais (SMD), observamos que muitos alunos recém-ingressos iniciam sua vida acadêmica ainda com dúvidas relevantes sobre a natureza do curso e o universo no qual ele se insere. Devido ao fato de o SMD ser um curso interdisciplinar e relativamente novo (sua primeira turma foi aberta em 2010), é esperado, de fato, que certas dúvidas ainda existam nas semanas iniciais.

Diálogos Didáticos – Profa. Carmensita Passos

PLANEJAMENTO: PARA ALÉM DO BUROCRATISMO

CarmensitaCarmensita Matos Braga Passos

O planejamento, na maioria das vezes, é visto como mais uma exigência burocrática, um documento a ser arquivado, que só é elaborado para se desobrigar dessa cobrança, e não porque se perceba necessidade ou algum sentido em realizar. As reflexões a seguir buscam superar essa compreensão de planejamento, percebe-lo como uma atividade inerente à ação docente e ir além de uma perspectiva meramente formal e burocrática que o limita ao preenchimento de formulários e ao atendimento de exigências administrativas.