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	<title>Blog da CASa &#187; Mestre Machado</title>
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		<title>Mestre Machado 09 &#8211; Como mudar o mundo</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Sep 2015 19:12:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>CASa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mestre Machado]]></category>

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		<description><![CDATA[No conto “Idéias do canário”, Machado de Assis narra a história de um biólogo que estudava aves (ornitólogo) e que encontrou, por acaso, um canário falante que vivia dentro de uma gaiola velha, pendurada na parede de uma loja de belchior (um brechó, loja que&#8230;<p class="more-link-p"><a class="more-link" href="http://www.blogdacasa.ufc.br/mestre-machado-09-como-mudar-o-mundo/">Read more &#8594;</a></p>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/mestremachado-01.png"><img class="alignleft size-medium wp-image-1435" alt="mestremachado-01" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/mestremachado-01-300x225.png" width="300" height="225" /></a>No conto <a name="SPELLING_ERROR_1"></a>“Idéias do canário”, Machado de Assis narra a história de um biólogo que estudava aves<a name="SPELLING_ERROR_2"></a> (ornitólogo) e que encontrou, por acaso, um canário falante que vivia dentro de uma gaiola velha, pendurada na parede de uma loja de <a name="SPELLING_ERROR_3"></a>belchior (um <i>brechó</i>, loja que vende <a name="SPELLING_ERROR_4"></a>objetos usados).<span id="more-1548"></span> Na verdade, o canário não falava, mas trilava; o biólogo que entendia tudo em linguagem humana.<br />
<!--[endif]--></p>
<p>Começaram um diálogo interessante, sem que o dono da loja (que dormia estirado numa cadeira) percebesse. Perguntou ao canário como ele tinha ido parar ali naquela loja, quem era o seu dono, se não sentia saudade do espaço azul e infinito, e o canário, com certo ar de superioridade, respondeu trilando que não tinha dono, que aquele homem que dormia na cadeira era seu servo, e que não sabia o que era “espaço azul e infinito”.</p>
<p>Então, o biólogo, chamado Macedo, perguntou ao canário o que ele pensa que é o “mundo”, e o canário respondeu:</p>
<p>“<i>O mundo? O mundo é uma loja de <a name="SPELLING_ERROR_5"></a>belchior, com uma pequena gaiola de <a name="SPELLING_ERROR_6"></a>taquara, <a name="SPELLING_ERROR_7"></a>quadrilonga, pendente de um prego; o canário é senhor da gaiola que habita e da loja que o cerca. Fora daí, tudo é ilusão e mentira.</i>”</p>
<p>Fascinado, Macedo comprou o canário (sem fazer alarme de seu dom fantástico) e o levou para casa, a fim de estudá-lo. Colocou o canário numa gaiola grande, em formato de círculo, e a pendurou na varanda de sua casa, de onde o canário poderia ver o jardim e um pouco do céu.</p>
<p>Dia após dia, Macedo ficava cada vez mais maravilhado com o seu objeto de estudo. Dormia pouco, acordava no meio da noite, pesquisava, anotava suas observações, relia, acrescentava, emendava. Durante suas pesquisas, Macedo lembrou-se de que ficou admirado com a <a name="SPELLING_ERROR_8"></a>definição de “mundo” do canário e voltou a questioná-lo sobre o assunto. Mas, agora, a resposta foi ainda mais intrigante:</p>
<p>“<i>O mundo – respondeu ele – é um jardim assaz largo com repuxo no meio, flores e arbustos, alguma grama, ar claro e um pouco de azul por cima; o canário, dono do mundo, habita uma gaiola vasta, branca e circular, donde mira o resto. Tudo o mais é ilusão e mentira.</i>”</p>
<p>Exaurido pela intensidade das pesquisas e pelo pouco repouso, Macedo acabou adoecendo. Deixou o canário aos cuidados de um criado que morava com ele. Certo dia, quando o criado foi limpar a gaiola, deixou a portinha aberta, e o canário fugiu. Macedo ficou arrasado quando recebeu a notícia. Procurou pelo canário em todo lugar, vasculhou as redondezas, mas&#8230; nada. Passou vários dias deprimido. (As ciências não podem mesmo conter seus objetos; de certa maneira, eles sempre escapam.)</p>
<p>Certo dia, passeando por aí com um amigo, Macedo ouviu uma voz chamá-lo, uma voz que vinha do alto, saída do meio dos galhos das árvores. E aqui reproduzo o <a name="SPELLING_ERROR_81"></a><a name="SPELLING_ERROR_9"></a>finalzinho do conto:</p>
<p>“<i>— Viva, Sr. Macedo, por onde tem andado que desapareceu?<br />
Era o canário; estava no galho de uma árvore. Imaginem como fiquei, e o que lhe disse. O meu amigo cuidou que eu estivesse doido; mas que me importavam cuidados de amigos? Falei ao canário com ternura, pedi-lhe que viesse continuar a conversação, naquele nosso mundo composto de um jardim e repuxo, varanda e gaiola branca e circular.</i></p>
<p><i>— Que jardim? que repuxo?</i></p>
<p><i>— O mundo, meu querido.</i></p>
<p><i>— Que mundo? Tu não perdes os maus costumes de professor. O mundo, concluiu solenemente, é um espaço infinito e azul, com o sol por cima. </i></p>
<p><i>Indignado, retorqui-lhe que, se eu lhe desse crédito, o mundo era tudo; até já fora uma loja de <a name="SPELLING_ERROR_91"></a><a name="SPELLING_ERROR_101"></a>belchior. </i></p>
<p><i>— De <a name="SPELLING_ERROR_10"></a><a name="SPELLING_ERROR_111"></a>belchior? <a name="SPELLING_ERROR_11"></a><a name="SPELLING_ERROR_121"></a>trilou ele às bandeiras despregadas. Mas há mesmo lojas de <a name="SPELLING_ERROR_12"></a><a name="SPELLING_ERROR_13"></a>belchior</i>?”<br />
Ao expandir seus horizontes, o canário ingressou em outros mundos. O mundo, que já fora uma gaiola velha dentro de uma loja empoeirada, agora era o espaço infinito e azul, com o sol por cima.</p>
<p>Na verdade, parece mesmo que não existe “o mundo” (conjunto total de fatos e coisas), exceto para um ente que consiga percebê-lo e compreendê-lo em sua plenitude – ou seja, para Deus. Para nós, indivíduos, existem apenas “mundos-<a name="SPELLING_ERROR_14"></a><a name="SPELLING_ERROR_151"></a>parcias”, fragmentos de mundo, maiores ou menores, mas sempre muito pequenos. Por um lado, isso é ótimo. Para quem algum dia quis “salvar o mundo” ou “mudar o mundo”, assim fica muito mais fácil. Basta mudar o mundo de alguém para melhor e terá mudado o mundo inteiro – daquela pessoa. Este, aliás, é um dos privilégios de ser professor.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em><a href="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/Prof-Raul.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-781" alt="Prof-Raul" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/Prof-Raul.jpg" width="148" height="150" /></a>Professor Raul Nepomuceno </em></strong><em> </em></p>
<p><em>Faculdade de Direito</em><br />
<em>Departamento de Direito Público</em><br />
<em>raulnepomuceno@gmail.com</em></p>
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		<title>Mestre Machado 08 &#8211; A palavra que nos pertence</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Jun 2015 02:57:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>CASa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mestre Machado]]></category>

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		<description><![CDATA[Michel de Montaigne que disse: “A palavra pertence metade a quem fala e metade a quem ouve”. Isso quer dizer que não somos totalmente responsáveis pelo que os outros entendem do que falamos, mas apenas em parte. Afinal, na linguagem&#8230;<p class="more-link-p"><a class="more-link" href="http://www.blogdacasa.ufc.br/mestre-machado-08-a-palavra-que-nos-pertence/">Read more &#8594;</a></p>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="letter-spacing: 0.05em; line-height: 1.6875;"><a href="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/mestremachado-01.png"><img class="alignleft size-medium wp-image-1435" alt="mestremachado-01" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/mestremachado-01-300x225.png" width="300" height="225" /></a>Michel de Montaigne que disse: “</span><i style="letter-spacing: 0.05em; line-height: 1.6875;">A palavra pertence metade a quem fala e metade a quem ouve</i><span style="letter-spacing: 0.05em; line-height: 1.6875;">”. Isso quer dizer que não somos totalmente responsáveis pelo que os outros entendem do que falamos, mas apenas em parte. <span id="more-786"></span>Afinal, na linguagem sempre há espaços para o preenchimento de lacunas, interpretações, superinterpretações, distorções, mal-entendidos, de modo que nem tudo na compreensão depende daquele que se pronuncia.</span></p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, a nossa parte precisa ser feita com muito cuidado, especialmente no papel de professores. Não é raro que professores universitários usem linguagem excessivamente rebuscada, com a justificativa da formalidade, da elegância, da erudição, da tradição (isso acontece muito no ambiente jurídico do qual faço parte), sem se preocupar se isso pode acabar dificultando a comunicação com os alunos, sobretudo nos primeiros semestres da graduação, fazendo crer que aquilo que está sendo dito é bem mais complicado do que realmente é.</p>
<p style="text-align: justify;">Há um pequeno conto de Machado de Assis chamado “<i>Um cão de lata ao rabo</i>”, que trata disso, da linguagem, de como sempre é possível complicar, encher de requintes, enfeitar demais o que é muito simples. O enredo apresenta um professor que lança um concurso de redações, com um tema bem singelo: todos devem escrever sobre “um cão com uma lata amarrada ao rabo”. Há três categorias no torneio, três estilos diferentes em que a composição poderia ser apresentada: estilo antitético e asmático, estilo <i>ab ovo</i>, estilo clássico.</p>
<p style="text-align: justify;">E Machado faz os personagens mostrarem como um tema tão simples (um cão na rua com uma lata amarrada no rabo) pode ser apresentado com adornos e requintes tais que acabam complicando muito – e desnecessariamente –, dando ares de sofisticação a um fato tão prosaico.</p>
<p style="text-align: justify;"><b>TRECHO DA REDAÇÃO VENCEDORA DO ESTILO ANTITÉTICO E ASMÁTICO:</b></p>
<p style="text-align: justify;"><i>O cão atirou-se com ímpeto. Fisicamente, o cão tem pés, quatro; moralmente, tem asas, duas. Pés: ligeireza na linha reta. Asas: ligeireza na linha ascensional. Duas forças, duas funções. Espádua de anjo no dorso de uma locomotiva.</i></p>
<p style="text-align: justify;"><i>Um menino atara a lata ao rabo do cão. Que é rabo? Um prolongamento e um deslumbramento. Esse apêndice, que é carne, é também um clarão. Di-lo a filosofia? Não; di-lo a etimologia. Rabo, rabino: duas ideias e uma só raiz.</i></p>
<p style="text-align: justify;"><i>A etimologia é a chave do passado, como a filosofia é a chave do futuro.</i></p>
<p style="text-align: justify;"><i>O cão ia pela rua fora, a dar com a lata nas pedras. A pedra faiscava, a lata retinia, o cão voava. Ia como o raio, como o vento, como a ideia. Era a revolução, que transtorna, o temporal que derruba, o incêndio que devora. O cão devorava. Que devorava o cão? O espaço. O espaço é comida. O céu pôs esse transparente manjar ao alcance dos impetuosos. Quando uns jantam e outros jejuam; quando, em oposição às toalhas da casa nobre, há os andrajos da casa do pobre; quando em cima as garrafas choram “lacrima-christi”, e embaixo os olhos choram lágrimas de sangue, Deus inventou um banquete para a alma. Chamou-lhe espaço. Esse imenso azul, que está entre a criatura e o criador, é o caldeirão dos grandes famintos. Caldeirão azul: antinomia, unidade. (continua&#8230;)</i></p>
<p style="text-align: justify;"><b>TRECHO DA REDAÇÃO VENCEDORA DO ESTILO “AB OVO”:</b></p>
<p style="text-align: justify;"><i>Um cão saiu de lata ao rabo. Vejamos primeiramente o que é o cão, o barbante e a lata; e vejamos se é possível saber a origem do uso de pôr uma lata ao rabo do cão.</i></p>
<p style="text-align: justify;"><i>O cão nasceu no sexto dia. Com efeito, achamos no Gênesis, cap. I, v. 24 e 25, que, tendo criado na véspera os peixes e as aves, Deus criou naqueles dias as bestas da terra e os animais domésticos, entre os quais figura o de que ora trato.</i></p>
<p style="text-align: justify;"><i>Não se pode dizer com acerto a data do barbante e da lata. Sobre o primeiro, encontramos no Êxodo, cap. XXVII, v. 1, estas palavras de Jeová: “Farás dez cortinas de linho retorcido”, donde se pode inferir que já se torcia o linho, e, por conseguinte se usava o cordel. Da lata as induções são mais vagas. No mesmo livro do Êxodo, cap. XXVII, v. 3, fala o profeta em caldeiras; mas logo adiante recomenda que sejam de cobre. O que não é o nosso caso.</i></p>
<p style="text-align: justify;"><i>Seja como for, temos a existência do cão, provada pelo Gênesis, e a do barbante citada com verossimilhança no Êxodo. Não havendo prova cabal da lata, podemos crer, sem absurdo, que existe, visto o uso que dela fazemos. (continua&#8230;)</i></p>
<p style="text-align: justify;"><b>TRECHO DA REDAÇÃO VENCEDORA DO ESTILO LARGO E CLÁSSICO:</b></p>
<p style="text-align: justify;"><i>Larga messe de louros se oferece às inteligências altíloquas, que, no prélio agora encetado, têm de terçar armas temperadas e finais, ante o ilustre mestre e guia de nossos trabalhos; e porquanto os apoucamentos do meu espírito me não permitem justar com glória, e quiçá me condenam a pronto desbaratamento, contento-me em seguir de longe a trilha dos vencedores, dando-lhes as palmas da admiração.</i></p>
<p style="text-align: justify;"><i>Manha foi sempre puerícia atar uma lata ao apêndice posterior do cão: e essa manha, não por certo louvável, é quase certo que a tiveram os párvulos de Atenas, não obstante ser a abelha-mestra da antiguidade, cujo mel ainda hoje gosta o paladar dos sabedores.</i></p>
<p style="text-align: justify;"><i>Tinham alguns infantes, por brinco e gala, atado uma lata a um cão, dando assim folga a aborrecimentos e enfados de suas tarefas escolares. Sentindo a mortificação do barbante, que lhe prendia a lata, e assustado com o soar da lata nos seixos do caminho, o cão ia tão cego e desvairado, que a nenhuma coisa ou pessoa parecia atender. (continua&#8230;)  </i></p>
<p style="text-align: justify;">Isso tudo para contar a história de um cachorrinho, coitado, vagando pela rua com uma lata amarrada no rabo?! É firula demais&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto professores, façamos ao menos a nossa parte. Cuidemos da palavra que nos pertence.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><a href="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/Prof-Raul.jpg"><img class=" wp-image-781 alignleft" alt="Prof-Raul" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/Prof-Raul.jpg" width="148" height="150" /></a><em>Professor Raul Nepomuceno </em></strong><em> </em></p>
<p><em>Faculdade de Direito</em><br />
<em> Departamento de Direito Público</em><br />
<em> raulnepomuceno@gmail.com</em></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Mestre Machado 07 &#8211; Coisas que não se ensina</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Jun 2015 02:54:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>CASa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mestre Machado]]></category>

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		<description><![CDATA[Machado tem um conto intitulado “Ex cathedra”, que conta a história de certo senhor idoso chamado Fulgêncio, que amava os livros e as ciências, passava o dia inteiro lendo, de manhã, de tarde, de noite, sob os cuidados de uma&#8230;<p class="more-link-p"><a class="more-link" href="http://www.blogdacasa.ufc.br/mestre-machado-07-coisas-que-nao-se-ensina/">Read more &#8594;</a></p>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/mestremachado-01.png"><img class="alignleft size-medium wp-image-1435" alt="mestremachado-01" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/mestremachado-01-300x225.png" width="300" height="225" /></a>Machado tem um conto intitulado “Ex cathedra”, que conta a história de certo senhor idoso chamado Fulgêncio, que amava os livros e as ciências, passava o dia inteiro lendo, de manhã, de tarde, de noite, sob os cuidados de uma mocinha, sua afilhada, adolescente de catorze anos de idade, de nome Caetaninha. Fulgêncio lia sobre tudo: filosofia, geografia, história, direito, biologia, matemáticas&#8230; Aliás, foi ele quem cuidou, pessoalmente, da educação da afilhada.<span id="more-780"></span></p>
<p style="text-align: justify;">A mente de Fulgêncio estava sempre mergulhada em teorias e doutrinas, as mais abstratas, e para tudo ele buscava uma explicação teórica e estritamente racional. Sua condição era tão extrema que muitas vezes ultrapassava a linha tênue da insanidade. Um dia acordou com a ideia de melhorar a situação dos turcos e redigiu para eles uma constituição, que enviou a um ministro inglês que morava em Petrópolis. Em outra ocasião, decidiu estudar cuidadosamente a anatomia dos olhos, para verificar se eles realmente podiam ver, e concluiu que sim.</p>
<p style="text-align: justify;">Então, certo dia, Fulgêncio recebeu a notícia de que um irmão seu, que morava no Norte, estava muito doente, prestes a falecer, e este irmão lhe pedia em carta para cuidar de um filho que ele deixava, um jovem de quinze anos, chamado Raimundo. Dias depois, Raimundo chegou ao Rio de Janeiro, à casa de Fulgêncio e Caetaninha, para morar com eles. A convivência entre os dois adolescentes logo se revelou harmoniosa, o que fez surgir em Fulgêncio a ideia de fazê-los se amarem. Isso mesmo: fazê-los se amarem. Isso porque, para Fulgêncio, o amor, tanto quanto qualquer outro tema da experiência humana, poderia ser objeto de uma teoria, de uma doutrina, que, construída e assimilada corretamente, não tinha como não conduzir ao resultado esperado. Para ele, o amor pode ser aprendido como quem aprende a ler e escrever.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, o professor elaborou um planejamento, meticulosamente fundado em sua teoria sobre o amor, um planejamento que levaria meses para ser executado, porque os dois adolescentes precisavam primeiro estudar a origem do universo, conhecer a demonstração da existência do homem, entender a organização das sociedades, passando ainda por outros assuntos diversos, até que chegasse o tempo oportuno para o estudo do amor propriamente dito. E assim começaram as aulas, com alguns dias de intervalo entre uma e outra, para que os assuntos pudessem ser bem abordados e bem digeridos pelos alunos.</p>
<p style="text-align: justify;">Acontece que as coisas não saíram bem como planejadas. Enquanto Fulgêncio falava em suas longas palestras, Raimundo e Caetaninha ficavam se entreolhando, e as mentes dos dois jovens divagavam em fantasias adolescentes, que o narrador da história expõe em uma narrativa lindamente poética. Aqui vai um trecho:</p>
<p style="text-align: justify;">“Enquanto o velho falava, reto, lógico, vagaroso, curtido de fórmulas, com os olhos fixos em parte nenhuma, os dois alunos faziam trinta mil esforços para escutá-lo, mas vinham trinta mil incidentes distraí-los. Foi a princípio um casal de borboletas que brincavam no ar. Façam-me o favor de dizer o que é que pode haver extraordinário num casal de borboletas? Concordo que eram amarelas, mas esta circunstância não basta a explicar a distração. O fato de voarem uma atrás da outra, ora à direita, ora à esquerda, ora abaixo, ora acima, também não dá a razão do desvio, visto que nunca as borboletas voaram em linha reta, como simples militares.</p>
<p style="text-align: justify;">— O entendimento, dizia o velho, o entendimento, segundo eu já expliquei&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Raimundo olhou para Caetaninha, e achou-a olhando para ele. Um e outro pareciam confusos e acanhados. Ela foi a primeira que baixou os olhos ao regaço. Depois, levantou-os, a fim de os levar a outra parte, mais remota, o muro da chácara; na passagem, como os de Raimundo ali estivessem, ela encarou-os o mais rapidamente que pôde. Felizmente, o muro apresentava um espetáculo que a encheu de admiração: um casal de andorinhas (era o dia dos casais) saltitava nele, com a graça peculiar às pessoas aladas. Saltitavam piando, dizendo coisas uma à outra, o que quer que fosse, talvez isto — que era bem bom não haver filosofia nos muros das chácaras.”</p>
<p style="text-align: justify;">Após três ou quatro aulas já estavam apaixonados, sem que Fulgêncio sequer suspeitasse.</p>
<p style="text-align: justify;">Naquela mesma semana, após aula ministrada à tarde, Fulgêncio foi trancar-se no escritório para ler. Antes de começar a leitura, dizia consigo mesmo: “na semana que vem entro na organização das sociedades; todo o mês que vem e o outro é para a definição e classificação das paixões; em maio passaremos ao amor&#8230; já será tempo&#8230;”</p>
<p style="text-align: justify;">Enquanto pensava isso, Caetaninha e Raimundo trocavam beijos furtivos na varanda.</p>
<p style="text-align: justify;">Realmente, parece que há coisas sobre as quais a filosofia e as ciências têm pouco – ou nenhum – domínio. O objeto sempre escapa. E um professor precisa saber disso.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong><a href="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/Prof-Raul.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-781" alt="Prof-Raul" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/Prof-Raul.jpg" width="148" height="150" /></a>Professor Raul Nepomuceno</strong></em></p>
<p><em>Faculdade de Direito</em><br />
<em> Departamento de Direito Público</em><br />
<em id="__mceDel" style="letter-spacing: 0.05em; line-height: 1.6875;"> raulnepomuceno@gmail.com</em></p>
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		<title>Mestre Machado 06 – Há sempre uma desculpa</title>
		<link>http://www.blogdacasa.ufc.br/mestre-machado-06-ha-sempre-uma-desculpa/</link>
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		<pubDate>Tue, 08 Apr 2014 21:31:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>CASa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mestre Machado]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma das marcas registradas de Machado de Assis é a luta interior de seus personagens diante de dilemas, muitas vezes personagens ambíguos, demasiadamente humanos. Frequentemente, um personagem pensa em fazer algo que ele mesmo julga errado, moralmente reprovável, mas, em&#8230;<p class="more-link-p"><a class="more-link" href="http://www.blogdacasa.ufc.br/mestre-machado-06-ha-sempre-uma-desculpa/">Read more &#8594;</a></p>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/mestremachado-01.png"><img class="alignleft size-medium wp-image-1435" alt="mestremachado-01" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/mestremachado-01-300x225.png" width="300" height="225" /></a>Uma das marcas registradas de Machado de Assis é a luta interior de seus personagens diante de dilemas, muitas vezes personagens ambíguos, demasiadamente humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Frequentemente, um personagem pensa em fazer algo que ele mesmo julga errado, moralmente reprovável, mas, em seguida, passa a buscar, internamente, justificativas para o seu erro. E sempre encontra.</p>
<p style="text-align: justify;">Logo no começo de “Esaú e Jacó”, duas distintas senhoras da elite carioca vão caminhando pela rua – uma delas vai feliz da vida, por razão que o livro explica no começo – quando passam por um sujeito pedindo dinheiro para a “missa das almas”. Não era um mendigo, apenas um pobre coitado que ajudava nos trabalhos da Igreja, e ficava ali pedindo dinheiro para a realização de missas pelas almas que estavam no purgatório. Aquela senhora que vinha exultante tirou da bolsa uma nota de 2 mil réis novinha e colocou na bacia ao chão – bacia que até então cotinha apenas algumas moedas de pequeno valor. E foi embora. Hoje, seria mais ou menos como dar uma nota novinha de 100 reais.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-527"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O sujeito que pedia o dinheiro para a missa das almas tomou um susto. Logo desconfiou que fosse uma nota falsa, mas foi um pensamento rápido. Depois ficou procurando uma justificativa para aquela generosidade toda, e pensou o mal das duas senhoras, que talvez viessem de alguma aventura amorosa (o que não era verdade, diga-se).</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o interessante é que o rapaz decide “encerrar o expediente” daquele dia e voltar à Igreja para entregar o apurado. E começa uma luta moral intensa, porque, durante a caminhada, ele é assolado pela tentação de ficar com a nota de 2 mil réis para si. O trecho é um pouco longo, mas vale a leitura:</p>
<p style="text-align: justify;">«Cumprimentou as senhoras, quando o carro passou. Depois ficou a olhar para a nota tão fresca, tão valiosa, nota que as almas nunca viram sair das mãos dele. Foi subindo a Rua de São José. Já não tinha ânimo de pedir; a nota fazia-se ouro, e a ideia de ser falsa voltou-lhe ao cérebro, e agora mais freqüente, até que se lhe pegou por alguns instantes. Se fosse falsa&#8230; “Para a missa das almas!” gemeu à porta de uma quitanda e deram-lhe um vintém, — um vintém sujo e triste, ao pé da nota tão novinha que parecia sair do prelo. Seguia-se um corredor de sobrado. Entrou, subiu, pediu, deram-lhe dois vinténs, — o dobro da outra moeda no valor e no azinhavre.</p>
<p style="text-align: justify;">E a nota sempre limpa, uns dois mil-réis que pareciam vinte. Não, não era falsa. No corredor pegou dela, mirou-a bem; era verdadeira. De repente, ouviu abrir a cancela em cima, e uns passos rápidos. Ele, mais rápido, amarrotou a nota e meteu-a na algibeira das calças; ficaram só os vinténs azinhavrados e tristes, o óbolo da viúva. Saiu, foi à primeira oficina, à primeira loja, ao primeiro corredor, pedindo longa e lastimosamente:</p>
<p style="text-align: justify;">— Para a missa das almas!</p>
<p style="text-align: justify;">Na igreja, ao tirar a opa, depois de entregar a bacia ao sacristão, ouviu uma voz débil como de almas remotas que lhe perguntavam se os dois mil-réis&#8230; Os dois mil-réis, dizia outra voz menos débil, eram naturalmente dele, que, em primeiro lugar, também tinha alma, e, em segundo lugar, não recebera nunca tão grande esmola. Quem quer dar tanto vai à igreja ou compra uma vela, não põe assim uma nota na bacia das esmolas pequenas.</p>
<p style="text-align: justify;">Se minto, não é de intenção. Em verdade, as palavras não saíram assim articuladas e claras, nem as débeis, nem as menos débeis; todas faziam uma zoeira aos ouvidos da consciência. Traduzi-as em língua falada, a fim de ser entendido das pessoas que me leem; não sei como se poderia transcrever para o papel um rumor surdo e outro menos surdo, um atrás de outro e todos confusos para o fim, até que o segundo ficou só: “não tirou a nota a ninguém&#8230; a dona é que a pôs na bacia por sua mão&#8230; também ele era alma”&#8230;»</p>
<p style="text-align: justify;">E a história não acaba aqui. Saindo da sacristia, deu com um mendigo, sujo e de roupas rasgadas. O rapaz das almas meteu a mão no bolso e tirou duas moedinhas, dois vinténs, e colocou no chapéu do mendigo. E o narrador diz que ele fez isso “rápido, às escondidas, como quer o Evangelho”.</p>
<p style="text-align: justify;">Machado às vezes é mestre em lembrar e fazer enxergar aquilo que de pior os humanos somos capazes.</p>
<p><strong style="letter-spacing: 0.05em; line-height: 1.6875;"> </strong></p>
<p><strong><a href="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/Prof-Raul.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-781" alt="Prof-Raul" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/Prof-Raul.jpg" width="148" height="150" /></a><em>Professor Raul Nepomuceno</em></strong></p>
<p><em>Faculdade de Direito<br />
</em><em>Departamento de Direito Público<br />
</em><em>raulnepomuceno@gmail.com</em></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Mestre Machado 05 &#8211; O refúgio dos livros</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Apr 2014 02:27:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>CASa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mestre Machado]]></category>

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		<description><![CDATA[Qualquer livro é menor do que a vida. Por mais que os livros nos ensinem e nos contem sobre as maravilhas e sobre as desventuras da vida, o que está lá é sempre menos do que há para viver. É&#8230;<p class="more-link-p"><a class="more-link" href="http://www.blogdacasa.ufc.br/mestre-machado-05-o-refugio-dos-livros/">Read more &#8594;</a></p>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/mestremachado-01.png"><img class="alignleft size-medium wp-image-1435" alt="mestremachado-01" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/mestremachado-01-300x225.png" width="300" height="225" /></a>Qualquer livro é menor do que a vida. Por mais que os livros nos ensinem e nos contem sobre as maravilhas e sobre as desventuras da vida, o que está lá é sempre menos do que há para viver. É como diz Machado: “A melhor definição de amor não vale um beijo de moça namorada.”</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-517"></span></p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, o prazer que um bom livro proporciona é, muitas vezes, um grande alívio, ou mesmo um refúgio, pode-se dizer, em meio às turbulências da vida. Sonhar. Aprender. Desaprender. Viajar com a mente. Andar por terras distantes, pensar os pensamentos mais sublimes, sentir coisas que nem se pode descrever.</p>
<p style="text-align: justify;">Na novela chamada “Casa Velha”, Machado conta a história de um cônego que resolveu escrever um livro sobre a História do Primeiro Reinado e, para aprofundar sua pesquisa, vai até um casarão onde viveu um ex-ministro do Império, já falecido, para procurar algo de relevante entre os livros e documentos oficiais que ele tinha em sua biblioteca. Para tanto, pede permissão à dona da casa, viúva do ex-ministro, que, depois de alguma relutância, a concede. Durante o tempo que lá esteve, o cônego tornou-se íntimo da família, que incluía um filho do ex-ministro e uma moça, agregada, que com eles moravam. Mas o presbítero mal podia imaginar a enrascada em que estava se metendo.</p>
<p style="text-align: justify;">Não vou contar o enredo, mas apenas destacar um pequeno trecho, em que o cônego, depois de uma conversa muito constrangedora com a víuva do ex-ministro, já percebendo que as relações familiares ali eram bem complicadas e dramáticas – e que ele já estava irreversivelmente envolvido na situação –, vai para a biblioteca, ficar sozinho, e nos confirma que, às vezes, os livros são bem mais seguros e agradáveis que a vida:</p>
<p style="text-align: justify;">“<i>Fui dali aos livros. Ao entrar na sala deles, parei diante do retrato do ex-ministro, e mirei por alguns instantes aquela boca, que me parecera lasciva, desde que a vi pela primeira vez. E disse comigo, olhando para ele:</i></p>
<p style="text-align: justify;"><i>            — Estás morto. Gozaste e descansas; mas eis aqui os frutos podres da incontinência; e são teus próprios filhos que vão tragá-los.</i></p>
<p style="text-align: justify;"><i>            Estava irritado, dava-me ímpeto de quebrar alguma coisa. Sentei-me, levantei-me, fui à janela e acabei passeando ao longo da sala, com os pensamentos dispersos e confusos. Os livros, arranjados nas estantes, olhavam para mim, e talvez comentavam a minha agitação com palavras de remoque, dizendo uns aos outros que eles eram a paz e a vida, e que eu padecia agora as consequências de os haver deixado, para entrar no conflito das coisas.</i>” (Casa Velha, capítulo VII)</p>
<p><span style="letter-spacing: 0.05em; line-height: 1.6875;"> </span></p>
<p><a href="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/Prof-Raul.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-781" alt="Prof-Raul" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/Prof-Raul.jpg" width="148" height="150" /></a><em><strong>Professor Raul Nepomuceno</strong></em></p>
<p><em>Faculdade de Direito<br />
</em><em>Departamento de Direito Público<br />
</em><em>raulnepomuceno@gmail.com</em></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Mestre Machado 04 &#8211; A abolição do tempo</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Feb 2014 02:53:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>CASa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mestre Machado]]></category>

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		<description><![CDATA[Prisioneiros do tempo, é isto que somos. Desde o despertador que interrompe o sono profundo às 6h da manhã, passando pelas inúmeras conferidas no relógio no decorrer do dia, hora disso, hora daquilo, até olhar pela última vez pouco antes&#8230;<p class="more-link-p"><a class="more-link" href="http://www.blogdacasa.ufc.br/mestre-machado-04-a-abolicao-do-tempo/">Read more &#8594;</a></p>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/mestremachado-01.png"><img class="alignleft size-medium wp-image-1435" alt="mestremachado-01" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/mestremachado-01-300x225.png" width="300" height="225" /></a>Prisioneiros do tempo, é isto que somos. Desde o despertador que interrompe o sono profundo às 6h da manhã, passando pelas inúmeras conferidas no relógio no decorrer do dia, hora disso, hora daquilo, até olhar pela última vez pouco antes de dormir.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando Brás Cubas tinha insônia, normalmente a madrugada era repleta de melancolia e enfado. Deitado, ficava ouvindo o barulho do relógio pendurado na parede anunciar a cada segundo, que um segundo a mais lhe era subtraído.<span id="more-507"></span></p>
<p style="text-align: justify;">“<i>Usualmente, quando eu perdia o sono, o bater da pêndula fazia-me muito mal; esse tique-taque soturno, vagaroso e seco parecia dizer a cada golpe que eu ia ter um instante menos de vida. Imaginava então um velho diabo, sentado entre dois sacos, o da vida e o da morte, a tirar as moedas da vida para dá-las à morte, e a contá-las assim:</i></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><i>— Outra de menos&#8230;</i></p>
<p style="text-align: justify;"><i>— Outra de menos&#8230;</i></p>
<p style="text-align: justify;"><i>— Outra de menos&#8230;</i></p>
<p style="text-align: justify;"><i>— Outra de menos&#8230; </i><i></i></p>
<p style="text-align: justify;"><i> </i></p>
<p style="text-align: justify;"><i>O mais singular é que, se o relógio parava, eu dava-lhe corda, para que ele não deixasse de bater nunca, e eu pudesse contar todos os meus instantes perdidos. Invenções há, que se transformam ou acabam; as mesmas instituições morrem; o relógio é definitivo e perpétuo. O derradeiro homem, ao despedir-se do sol frio e gasto, há de ter um relógio na algibeira, para saber a hora exata em que morre</i>.” (<b>Memórias póstumas de Brás Cubas</b>, capítulo LIV)</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, na noite em que Brás deu o primeiro beijo em Virgília, sua insônia foi deliciosa. Não sentiu enfado ou melancolia. Ficou “saboreando” o momento, com a cabeça prenhe de fantasias, de modo que “não ouvia os instantes perdidos, mas os minutos ganhados”. Em certo momento nem o barulho do pêndulo do relógio ele ouvia mais. Verdade que o beijo era adulterino, e isto, pode-se dizer, macula a bonita abolição do tempo e do relógio que ele alcançou naquela noite. Mas fica a impressão de que a paixão – por alguém ou por algo – pode nos livrar, ao menos temporariamente, dessa prisão do tempo e do relógio. Em sala de aula, atuando como professor, às vezes acontece comigo. Inclusive passando da hora.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong><a href="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/Prof-Raul.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-781" alt="Prof-Raul" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/Prof-Raul.jpg" width="148" height="150" /></a>Professor Raul Nepomuceno</strong></em></p>
<p><em>Faculdade de Direito<br />
</em><em>Departamento de Direito Público<br />
</em><em>raulnepomuceno@gmail.com</em></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Mestre Machado 03</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Feb 2014 18:00:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>CASa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mestre Machado]]></category>

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		<description><![CDATA[Machado de Assis era um exímio observador. Enxergava o que poucos são capazes de enxergar e, o que é mais impressionante, expressava isso com habilidade e clareza insuperáveis – e quase sempre cruéis. Um dos meus contos favoritos de Machado&#8230;<p class="more-link-p"><a class="more-link" href="http://www.blogdacasa.ufc.br/mestre-machado-03/">Read more &#8594;</a></p>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/mestremachado-01.png"><img class="alignleft size-medium wp-image-1435" alt="mestremachado-01" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/mestremachado-01-300x225.png" width="300" height="225" /></a>Machado de Assis era um exímio observador. Enxergava o que poucos são capazes de enxergar e, o que é mais impressionante, expressava isso com habilidade e clareza insuperáveis – e quase sempre cruéis.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dos meus contos favoritos de Machado se chama “<i>Teoria do Medalhão</i>”. Trata-se de obra magna da mais pura e fina ironia. É um diálogo entre um pai e seu filho recém-chegado à maioridade (na época, 21 anos). A história começa exatamente quando se encerra a festa de aniversário de 21 anos do rapaz, momento em que seu pai o chama para uma conversa muito séria.<span id="more-215"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Eis o preâmbulo:</p>
<p style="text-align: justify;"><i>“ – Estás com sono?</i></p>
<p style="text-align: justify;"><i>– Não, senhor.</i></p>
<p style="text-align: justify;"><i>– Nem eu; conversemos um pouco. Abre a janela. Que horas são?</i></p>
<p style="text-align: justify;"><i>– Onze.</i></p>
<p style="text-align: justify;"><i>– Saiu o último conviva do nosso modesto jantar. Com que, meu peralta, chegaste aos </i></p>
<p style="text-align: justify;"><i>teus vinte e um anos. Há vinte e um anos, no dia 5 de agosto de 1854, vinhas tu à luz, um pirralho de nada, e estás homem, longos bigodes, alguns namoros&#8230;</i></p>
<p style="text-align: justify;"><i>– Papai&#8230;</i></p>
<p style="text-align: justify;"><i>– Não te ponhas com denguices, e falemos como dois amigos sérios. Fecha aquela porta; vou dizer-te coisas importantes. Senta-te e conversemos.</i></p>
<p style="text-align: justify;">Em seguida, o pai zeloso passa a dar lições ao filho de como se tornar um legítimo e bem-sucedido <b><i>medalhão</i></b>, ou seja, um homem “importante”, que, embora muitas vezes vazio e nulo, goza de muito prestígio e de muito respeito perante os outros. Os grifos, sempre, são meus.</p>
<p style="text-align: justify;"><i>“– Vinte e um anos, algumas apólices, um diploma, podes entrar no parlamento, na magistratura, na imprensa, na lavoura, na indústria, no comércio, nas letras ou nas artes. Há infinitas carreiras diante de ti. Vinte e um anos, meu rapaz, formam apenas a primeira sílaba do nosso destino. (…) <b>A vida, Janjão, é uma enorme loteria; os prêmios são poucos, os malogrados inúmeros, e com os suspiros de uma geração é que se amassam as esperanças de outra. Isto é a vida; não há planger, nem imprecar, mas aceitar as coisas integralmente, com seus ônus e percalços, glórias e desdouros, e ir por diante</b>.</i></p>
<p style="text-align: justify;"><i>– Sim, senhor.</i></p>
<p style="text-align: justify;"><i>– Entretanto, assim como é de boa economia guardar um pão para a velhice, assim também <b>é de boa prática social acautelar um ofício para a hipótese de que os outros falhem, ou não indenizem suficientemente o esforço da nossa ambição.</b> É isto o que te aconselho hoje, dia da tua maioridade.</i></p>
<p style="text-align: justify;"><i>– Creia que lhe agradeço; mas que ofício, não me dirá?</i></p>
<p style="text-align: justify;"><i> – Nenhum me parece mais útil e cabido que o de medalhão. <b>Ser medalhão foi o sonho da minha mocidade; faltaram-me, porém, as instruções de um pai, e acabo como vês, sem outra consolação e relevo moral, além das esperanças que deposito em ti. Ouve-me bem, meu querido filho, ouve-me e entende</b>.</i>”</p>
<p style="text-align: justify;">Pois vamos, então, às cinco “lições básicas” para ser tornar um autêntico <b><i>medalhão </i></b>e alcançar prestígio numa sociedade de aparências<b>.</b></p>
<p style="text-align: justify;"><b>LIÇÃO 01<br />
NÃO TER IDÉIAS PRÓPRIAS, MAS APENAS REPETIR O QUE OUVIR DOS OUTROS</b></p>
<p style="text-align: justify;">PAI &#8211; “<i>Venhamos ao principal. Uma vez entrado na carreira, deves pôr todo o cuidado nas ideias que houveres de nutrir para uso alheio e próprio. O melhor será não as ter absolutamente!”</i></p>
<p style="text-align: justify;">(&#8230;)</p>
<p style="text-align: justify;">FILHO &#8211; “<i>Mas quem lhe diz que eu</i>&#8230;”</p>
<p style="text-align: justify;">PAI &#8211; “<i>Tu, meu filho, se me não engano, <b>pareces dotado da perfeita </b></i><a href="http://dicionariodosincultos.blogspot.com/2007/01/inpia.html"><b><i>inópia</i></b></a><i> </i><b><i>mental, conveniente ao uso deste nobre ofício. Não me refiro tanto à fidelidade com que repetes numa sala as opiniões ouvidas numa esquina, e vice-versa, porque esse fato, posto indique certa carência de ideias, ainda assim pode não passar de uma traição da memória</i></b><i>. Não; refiro-me ao gesto correto e perfilado com que usas expender francamente as tuas simpatias ou antipatias acerca do corte de um colete, das dimensões de um chapéu, do ranger ou calar das botas novas. <b>Eis aí um sintoma eloquente, eis aí uma esperança</b></i>.”<br />
<b><br />
LIÇÃO 02<br />
ANDAR SEMPRE ACOMPANHADO DE GENTE DESOCUPADA E FÚTIL; EVITAR AS LIVRARIAS, EXCETO SE FOR COM A FINALIDADE DE SER VISTO PELOS OUTROS</b></p>
<p style="text-align: justify;">PAI &#8211; “<i>O passeio nas ruas, mormente nas de recreio e parada, é utilíssimo, <b>com a condição de não andares desacompanhado, porque a solidão é oficina de ideias</b>, e o espírito deixado a si mesmo, embora no meio da multidão, pode adquirir uma tal ou qual atividade</i>.”</p>
<p style="text-align: justify;">FILHO &#8211; “<i>Mas se eu não tiver à mão um amigo apto e disposto a ir comigo</i>?”</p>
<p style="text-align: justify;">PAI &#8211; “<i>Não faz mal; tens o valente recurso de mesclar-te aos </i><a href="http://pt.wiktionary.org/wiki/pasmat%C3%B3rio"><b><i>pasmatórios</i></b></a><i>, em que toda a poeira da solidão se dissipa. <b>As livrarias, ou por causa da atmosfera do lugar, ou por qualquer outra razão que me escapa, não são propícias ao nosso fim; e, não obstante, há grande conveniência em entrar por elas, de quando em quando, não digo às ocultas, mas às escâncaras</b>. Podes resolver a dificuldade de um modo simples: <b>vai ali falar do boato do dia, da anedota da semana, de um contrabando, de uma calúnia, de um cometa, de qualquer coisa, quando não prefiras interrogar diretamente os leitores habituais das belas crônicas de Mazade</b>; 75% desses estimáveis cavalheiros repetir-te-ão as mesmas opiniões, e uma tal monotonia é grandemente saudável. Com este regime, durante oito, dez, dezoito meses &#8211; suponhamos dois anos, &#8211; reduzes o intelecto, por mais pródigo que seja, à sobriedade, à disciplina, ao equilíbrio comum. Não trato do vocabulário, porque ele está subentendido no uso das ideias; há de ser naturalmente simples, tíbio, apoucado, sem notas vermelhas, sem cores de clarim&#8230;</i>”<b></b></p>
<p style="text-align: justify;"><b> </b></p>
<p style="text-align: justify;"><b>LIÇÃO 03<br />
CUIDAR DO <i>MARKETING</i> PESSOAL COM ESPECIAL ZELO</b></p>
<p style="text-align: justify;">PAI &#8211; “<i>Não te falei ainda dos benefícios da publicidade. A publicidade é uma dona loureira e senhoril, que tu deves requestar à força de pequenos mimos, confeitos, almofadinhas, coisas miúdas, que antes exprimem a constância do afeto do que o atrevimento e a ambição. Que D. Quixote solicite os favores dela mediante ações heróicas ou custosas, é um sestro próprio desse ilustre lunático. <b>O verdadeiro medalhão tem outra política. Longe de inventar um Tratado científico da criação dos carneiros, compra um carneiro e dá-o aos amigos sob a forma de um jantar, cuja notícia não pode ser indiferente aos seus concidadãos</b>. Uma notícia traz outra; cinco, dez, vinte vezes põe o teu nome ante os olhos do mundo. Comissões ou deputações para felicitar um agraciado, um benemérito, um forasteiro, têm singulares merecimentos, e assim as irmandades e associações diversas, sejam mitológicas, cinegéticas ou coreográficas. <b>Os sucessos de certa ordem, embora de pouca monta, podem ser trazidos a lume, contanto que ponham em relevo a tua pessoa</b></i>.”</p>
<p style="text-align: justify;"><b>LIÇÃO 04<br />
APARENTAR TER CONHECIMENTOS DE FILOSOFIA, MAS NA REALIDADE FUGIR DELA</b></p>
<p style="text-align: justify;">FILHO &#8211; “<i>Nenhuma filosofia</i>?”</p>
<p style="text-align: justify;">PAI &#8211; “<i>Entendamo-nos: <b>no papel e na língua alguma, na realidade nada</b>. &#8216;Filosofia da história&#8217;, por exemplo, é uma locução que deves empregar com frequência, mas <b>proíbo-te que chegues a outras conclusões que não sejam as já achadas por outros. Foge a tudo que possa cheirar a reflexão, originalidade</b>, etc, etc.”</i></p>
<p style="text-align: justify;"><b>LIÇÃO 05<br />
SER ENGRAÇADO, MAS EVITAR A IRONIA FINA; USAR APENAS PIADAS GROSSEIRAS – AS “CHALAÇAS”</b></p>
<p style="text-align: justify;">PAI &#8211; “<i>Tens um gênio folgazão, prazenteiro, não hás de sofreá-lo nem eliminá-lo; podes brincar e rir alguma vez. Medalhão não quer dizer melancólico. Um grave pode ter seus momentos de expansão alegre. Somente, — e este ponto é melindroso&#8230;</i>”</p>
<p style="text-align: justify;">FILHO &#8211; “<i>Diga&#8230;</i>”</p>
<p style="text-align: justify;">PAI &#8211; “<i>Somente <b>não deves empregar a ironia, esse movimento ao canto da boca, cheio de mistérios</b>, inventado por algum grego da decadência, contraído por Luciano, transmitido a Swift e Voltaire, feição própria dos cépticos e desabusados. <b>Não. Usa antes a </b></i><a href="http://dicionariodosincultos.blogspot.com/2006/11/chalaa.html"><b><i>chalaça</i></b></a><b><i>, a nossa boa chalaça amiga, gorducha, redonda, franca, sem biocos, nem véus, que se mete pela cara dos outros, estala como uma palmada, faz pular o sangue nas veias, e arrebentar de riso os suspensórios</i></b><i>. Usa a </i><a href="http://dicionariodosincultos.blogspot.com/2006/11/chalaa.html"><i>chalaça</i></a>.”</p>
<p style="text-align: justify;">Eis que o filho alerta seu pai de que a hora já é avançada, ocasião em que o diálogo se encerra.</p>
<p style="text-align: justify;">FILHO &#8211; “<i>Meia-noite</i>”.</p>
<p style="text-align: justify;">PAI &#8211; “<i>Meia-noite? Entras nos teus vinte e dois anos, meu peralta; estás definitivamente maior. Vamos dormir, que é tarde. Rumina bem o que te disse, meu filho. Guardadas as proporções, a conversa desta noite vale o Príncipe de Machiavelli. Vamos dormir</i>.”</p>
<p style="text-align: justify;">Acho que nem preciso me esforçar para estabelecer uma relação entre essas “lições” e a atividade de um professor universitário. Obviamente, no desejo  de que tais “lições” sejam desprezadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem quiser ler o conto inteiro pode encontrar “Teoria do medalhão” aqui:</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://machado.mec.gov.br/images/stories/html/contos/macn003.htm#teoria_do_medalhao_abaixo">http://machado.mec.gov.br/images/stories/html/contos/macn003.htm#teoria_do_medalhao_abaixo</a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p><img class="wp-image-201 alignleft" alt="Prof Raul" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2013/08/Prof-Raul.jpg" width="207" height="211" /></p>
<p><em><strong>Professor Raul Nepomuceno</strong></em></p>
<p><em>Faculdade de Direito<br />
</em><em>Departamento de Direito Público<br />
</em><em>raulnepomuceno@gmail.com</em></p>
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		<title>Mestre Machado 02</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Sep 2013 18:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>CASa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mestre Machado]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje tenho o grande privilégio de lecionar na mesma Faculdade em que estudei quinze anos atrás. Ministro aulas nas mesmas salas em que estudei, e ali ainda estão as mesmas cadeiras, as mesmas paredes, o mesmo quadro. Às vezes, quando&#8230;<p class="more-link-p"><a class="more-link" href="http://www.blogdacasa.ufc.br/mestre-machado-02/">Read more &#8594;</a></p>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/mestremachado-01.png"><img class="alignleft size-medium wp-image-1435" alt="mestremachado-01" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/mestremachado-01-300x225.png" width="300" height="225" /></a>Hoje tenho o grande privilégio de lecionar na mesma Faculdade em que estudei quinze anos atrás. Ministro aulas nas mesmas salas em que estudei, e ali ainda estão as mesmas cadeiras, as mesmas paredes, o mesmo quadro.</p>
<p style="text-align: justify;">Às vezes, quando a aula termina, fico olhando para a sala vazia, para os bancos nos corredores, e, mergulhado em nostalgia, volto no tempo para ver um grupo de jovens conversando, eu e meus colegas, com 18 ou 19 anos, cheios de certezas – dentre as quais as mais firmes eram a de que nossa vida era infinita e a de que ela era prenhe de realizações grandiosas – e penso no que mudou de lá para cá.<span id="more-212"></span></p>
<p><a href="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2013/08/machado.png"><img class=" wp-image-205 alignleft" alt="machado" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2013/08/machado.png" width="91" height="238" /></a></p>
<p>“<i>O tempo é um rato roedor das coisas, que as diminui ou altera no sentido de lhes dar outro aspecto</i>.” (Esaú e Jacó, cap. XXI)</p>
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<p>O tempo mexeu com a gente, sim. Roeu algumas coisas, alterou outras tantas&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2013/08/Prof-Raul.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-201" alt="Prof Raul" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2013/08/Prof-Raul-150x150.jpg" width="150" height="150" /></a></p>
<p><em><strong>Professor Raul Nepomuceno</strong></em></p>
<p><em>Faculdade de Direito<br />
</em><em>Departamento de Direito Público<br />
</em><em>raulnepomuceno@gmail.com</em></p>
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		<title>Mestre Machado 01</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Aug 2013 18:34:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>CASa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mestre Machado]]></category>

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		<description><![CDATA[Bem, pessoal, aqui começa minha pequena contribuição para esse projeto tão legal que é o blog da CASa/UFC. Meu nome é Raul Nepomuceno, sou professor da Faculdade de Direito, lotado no Departamento de Direito Público, mas não é exatamente sobre&#8230;<p class="more-link-p"><a class="more-link" href="http://www.blogdacasa.ufc.br/mestre-machado-01/">Read more &#8594;</a></p>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/mestremachado-01.png"><img class="alignleft size-medium wp-image-1435" alt="mestremachado-01" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/mestremachado-01-300x225.png" width="300" height="225" /></a>Bem, pessoal, aqui começa minha pequena contribuição para esse projeto tão legal que é o blog da CASa/UFC.</p>
<p style="text-align: justify;">Meu nome é Raul Nepomuceno, sou professor da Faculdade de Direito, lotado no Departamento de Direito Público, mas não é exatamente sobre Direito que venho tratar. Pretendo compartilhar aqui algumas reflexões, até agora solitárias, sobre a minha maior fonte de prazer nas letras: a obra de Machado de Assis.<span id="more-204"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Serão reflexões curtas, tentando sempre relacionar algum trecho machadiano com a nossa experiência como docentes – ou como indivíduos sempre envolvidos em relações intersubjetivas, num sentido mais amplo. Com sua verve inigualável, Machado tem sempre alguma coisa muito interessante para nos ensinar sobre nós mesmos, especialmente sobre nossas fraquezas, que são tantas, sempre com um traço de riso e de melancolia.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, para não me prolongar demais, deixo apenas um trecho de “A mão e a luva”, em que o narrador, referindo-se ao ingênuo Estevão, diz assim:</p>
<p><img class=" wp-image-205 alignleft" alt="machado" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2013/08/machado.png" width="73" height="190" /></p>
<p>“<i>Aquele bom rapaz tinha a salutar crendice da esperança, em que muita vez se </i><i>resumem todas as bênçãos da vida</i>.” (A mão e a luva, cap.          VII)</p>
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<p>Às vezes, pode mesmo parecer que o ofício de professor consiste em algo semelhante a enxugar gelo continuamente, dia após dia. Vários fatores, de várias espécies, acabam conduzindo a certo desânimo, aqui e ali. No entanto, a mim parece que o professor que ama lecionar sempre se renova nessa tal “crendice da esperança”, talvez ingênua, talvez desesperada por sentido, mas que realmente crê que há algo muito relevante a ser dito, a ser compartilhado, a ser vivido, a ser apreendido – por ele mesmo, professor, inclusive, que apreende também, e muito mais que aquilo que ensina.</p>
<p style="text-align: justify;">É exatamente essa esperança que faz do nosso trabalho uma grande bênção (digo, para nós, porque para os alunos&#8230; há ou pode haver controvérsias).</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="wp-image-201 alignleft" alt="Prof Raul" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2013/08/Prof-Raul.jpg" width="207" height="211" /></p>
<p><em><strong>Professor Raul Nepomuceno</strong></em></p>
<p><em>Faculdade de Direito<br />
</em><em>Departamento de Direito Público<br />
</em><em>raulnepomuceno@gmail.com</em></p>
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		<title>Mestre Machado &#8211; Apresentação</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Jul 2013 03:14:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>CASa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mestre Machado]]></category>

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		<description><![CDATA[SOBRE A COLUNA Mestre Machado: Machado de Assis foi um mestre das letras e também dos temas relativos à alma humana. A experiência de ler seus textos é reveladora de nossa própria condição, e quem lê acaba se sentindo lido&#8230;<p class="more-link-p"><a class="more-link" href="http://www.blogdacasa.ufc.br/mestre-machado-apresentacao/">Read more &#8594;</a></p>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/mestremachado-01.png"><img class="alignleft size-medium wp-image-1435" alt="mestremachado-01" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/06/mestremachado-01-300x225.png" width="300" height="225" /></a>SOBRE A COLUNA</p>
<p><b>Mestre Machado:</b></p>
<p>Machado de Assis foi um mestre das letras e também dos temas relativos à alma humana. A experiência de ler seus textos é reveladora de nossa própria condição, e quem lê acaba se sentindo lido por ele. Está tudo lá: nossas fraquezas, nossas ambiguidades, nossos sonhos, nossas frustrações, nossos medos.</p>
<p>“Mestre Machado” é sobre as reflexões que Machado de Assis nos deixou e que são aplicáveis na vida de qualquer um, em especial na vida de um professor. Engana-se quem acha que em sua obra há apenas historinhas sobre triângulos amorosos e ganância. Esse é apenas o mote. Entre uma cena e outra, entre um beijo furtivo e uma morte triste, há os comentários, a glosa, a revelação, e essa digressão é tudo. Como disse Drummond, falando dele: “Outros leram da vida apenas um capítulo, tu leste o livro inteiro.”</p>
<p>Sobre o autor:</p>
<p>Meu nome é Raul Nepomuceno, sou professor do Departamento de Direito Público da UFC, leciono Direito Penal e Criminologia. Sou casado com Aline e pai de Ana e de Bruna. Nas horas vagas, que são poucas, encontro nos textos Machado de Assis fonte de riso e de melancolia, tudo junto e misturado, como uma coisa apenas, diante dos enigmas da vida.​</p>
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