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	<title>Blog da CASa &#187; Resenhas</title>
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		<title>Resenhas &#8211; Prof. Sérgio Rebouças</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2015 18:23:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>CASa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Resenhas]]></category>

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		<description><![CDATA[André Gide, o “homicídio sem motivo” e o belo Tratado do Narciso Já quis provocar um debate entre meus passados alunos de Direito Penal a respeito da imaginária figura do “homicídio sem motivo”. Ocorreu-me que o debate jurídico tradicional parte&#8230;<p class="more-link-p"><a class="more-link" href="http://www.blogdacasa.ufc.br/resenhas-prof-sergio-reboucas-2/">Read more &#8594;</a></p>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<h3>André Gide, o “homicídio sem motivo” e o belo Tratado do Narciso</h3>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/10/gide.jpg"><img class="alignleft  wp-image-1575" alt="gide" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/10/gide.jpg" width="151" height="172" /></a>Já quis provocar um debate entre meus passados alunos de Direito Penal a respeito da imaginária figura do “homicídio sem motivo”. Ocorreu-me que o debate jurídico tradicional parte do pressuposto <i>falso</i> de que tal figura possa existir.</p>
<p style="text-align: justify;">Na doutrina jurídico-penal, discute-se o tratamento normativo que a ser conferido à ausência de motivo no crime de homicídio: a) se é caso de homicídio qualificado, pela equiparação da ausência de motivo ao motivo fútil (motivo banal, sem importância); b) ou se é caso de homicídio simples, por não estar a ausência de motivo prevista em lei como circunstância de qualificação do crime.<span id="more-1572"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Ora, mas esse debate só tem sentido <i>se realmente existir</i> a figura do “homicídio sem motivo”. Toda ação humana &#8211; ação entendida como exteriorização de vontade, que é a única com interesse jurídico-penal &#8211; se vincula a uma motivação. Fora disso estamos no plano dos atos reflexos, que não chegam a constituir conduta juridicamente relevante.</p>
<p style="text-align: justify;">O leitor já estará se perguntando que tem isso a ver com o André Gide referido no título e mostrado na foto desta postagem. É que Gide, notável escritor francês do início do Século XX, escreveu um romance, chamado <i>Les Caves du Vatican (Os Subterrâneos do Vaticano</i>), em que um sujeito, objetivando cometer um &#8220;ato gratuito&#8221; que ponha a Polícia em situação de embaraço, resolve empurrar outro de um trem, com o que pratica um pretenso “homicídio sem motivo”. Para isso, o agente se coloca em elucubrações mentais a respeito de possível doença padecida pela vítima. Ora, mas nem aí se pode identificar conduta imotivada: o sujeito matou motivado pelo objetivo de embaraçar a Polícia ante uma imaginária situação de ausência de motivo. Aí está. Outro exemplo literário que pode conduzir ao mesmo debate é a situação dramática de <i>L&#8217;Étranger</i>, do argelino Albert Camus.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim postas as coisas, o tratamento jurídico a se emprestar ao assunto não sai do âmbito meramente probatório: quer dizer, se não se consegue <i>provar</i> o motivo, claro, o caso é de homicídio simples. Não quer isso dizer que o motivo não exista. Existirá sempre em qualquer ação de interesse para o Direito Penal (o ato reflexo, não sendo ação, impede a própria imputação do homicídio).</p>
<p style="text-align: justify;">Mas esta postagem tem também uma face mais literária, para ficarmos ainda com Gide em um contexto diferente. Assim, de modo a ultrapassarmos a aridez do debate filosófico antes referido, cito um trecho genial, mais artístico do que fenomenológico, do <i>Traité du Narcisse</i> <i>(Tratado do Narciso)</i>, igualmente de André Gide, para deleite dos leitores (vai no original e em tradução nossa):</p>
<p style="padding-left: 270px; text-align: justify; font-size: 14px;"><i>&#8220;Les livres ne sont peut-être pas une chose bien nécessaire; quelques mythes d’abord suffisaient; une religion y tenait tout entière. Le peuple s’étonnait à l’apparence des fables et sans comprendre il adorait ; les prêtres attentifs, penchés sur la profondeur des images, pénétrait lentement l’intime sens du hiéroglyphe. Puis on a voulu expliquer ; les livres ont amplifié les mythes ; &#8211; mais quelques mythes suffisaient.</i> <i>Ainsi le mythe du Narcisse : Narcisse était parfaitement beau, &#8211; et c’est pourquoi il était chaste ; il dédaignait les Nymphes – parce qu’il était amoureux de lui même. Aucun souffle ne troublait la source, où, tranquille et penché, tout le jours il contemplait son image&#8230; – Vous savez l’histoire. Pourtant nous la dirons encore. Toutes choses sont dites déjà ; mais comme personne n’écoute, il faut toujours recommencer.&#8221;</i></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 270px; font-size: 14px;"><i>&#8220;Os livros talvez não sejam bem uma coisa necessária; alguns mitos antigamente bastavam; uma religião os abarcava por inteiro. O povo se admirava com a aparência das fábulas e sem compreender as adorava; os padres atentos, debruçados sobre a profundidade das imagens, penetravam lentamente o íntimo sentido do hieróglifo. Depois quiseram explicar; os livros amplificaram os mitos; &#8211; mas alguns mitos já bastavam.</i> <i>Assim o mito do Narciso: Narciso era perfeitamente belo; &#8211; e por isso era casto; desdenhava as Ninfas – porque era apaixonado por si mesmo. Nenhum sopro lhe turbava o estado em que, tranqüilo e reclinado, por todo o dia ele contemplava sua imagem&#8230; – Você sabe a história. Entretanto nós a diremos novamente. Todas as coisas já estão ditas; mas como ninguém escuta, é preciso sempre recomeçar&#8221;.</i></p>
<p>É isso mesmo. Queremos sempre contar de novo, de outra forma, da melhor forma: eis o encanto pungente da arte narrativa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><em><a href="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/07/Foto.Sérgio-h150.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1234" alt="Foto.Sérgio-h150" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/07/Foto.Sérgio-h150.jpg" width="118" height="150" /></a>Prof. Sérgio Bruno Araújo Rebouças</em></strong></p>
<p><em>Faculdade de Direito</em><br />
<em>sergiobareboucas@gmail.com</em></p>
<p><i> </i></p>
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		<title>Resenhas &#8211; Profa. Marta Medeiros</title>
		<link>http://www.blogdacasa.ufc.br/706/</link>
		<comments>http://www.blogdacasa.ufc.br/706/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 19 Feb 2015 18:19:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>CASa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Resenhas]]></category>

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		<description><![CDATA[A VOLTA DO FILHO PRÓDIGO (Henri J. M. Nouwen Paulinas, 13ª. Edição, 2004)             Sou professora da Faculdade de Medicina da UFC desde 1989 e, dentre todos os livros que já li, A Volta do&#8230;<p class="more-link-p"><a class="more-link" href="http://www.blogdacasa.ufc.br/706/">Read more &#8594;</a></p>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: left;"><b>A VOLTA DO FILHO PRÓDIGO</b></h3>
<h4 style="text-align: left;"><b>(Henri J. M. Nouwen </b>Paulinas, 13ª. Edição, 2004)</h4>
<p style="text-align: justify;">            Sou professora da Faculdade de Medicina da UFC desde 1989 e, dentre todos os livros que já li, <i>A Volta do Filho Pródigo</i> de Henri Nouwen foi o que mais me tocou profundamente. Ele influenciou toda a minha vida, incluindo a profissional. <span id="more-706"></span>Quando o li a primeira vez em 2004, estava no auge da minha vida acadêmica, dando aulas na faculdade e em eventos locais e nacionais da minha área, produzindo cientificamente, fazendo assistência a pacientes do hospital universitário, assumindo cargos de chefia, viajando para congressos e cursos, sem muito tempo para parar e refletir sobre a vida, sobre para onde estava caminhando. À medida que as demandas externas iam surgindo na minha vida profissional, eu ia tentando atendê-las, desdobrando-me para fazer tudo com perfeição, incentivada pelo compromisso e responsabilidade que me é peculiar, mas também pela vaidade no vislumbre dos resultados. Apesar da euforia e empolgação com uma vida profissional de sucesso, sentia-me, muitas vezes, cansada, angustiada, inquieta, querendo colo, abraço, encontrar significados, paz&#8230; A leitura do livro pusera-me em contato com algo dentro de mim que subsiste bem distante dos altos e baixos de uma vida atarefada, algo que representa a constante busca do espírito humano, o anseio por segurança e paz interior, uma volta definitiva para dentro de si mesmo e para o encontro com o Pai.</p>
<div id="attachment_708" class="wp-caption alignleft" style="width: 186px"><a href="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/02/a-volta-do-filho-prodigo-.jpg"><img class=" wp-image-708  " alt="Capa do Livro" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/02/a-volta-do-filho-prodigo--196x300.jpg" width="176" height="270" /></a><p class="wp-caption-text">Capa do Livro</p></div>
<p style="text-align: justify;">          Henri Nouwen (1932-1996) foi um padre holandês, católico, teólogo, autor de mais de 40 livros. Um encontro casual com uma reprodução da pintura de Rembrandt chamada <i>A volta do Filho Pródigo</i>, projetou Henri Nouwen numa longa experiência espiritual. Na época, ele era um professor de várias escolas de Harvard, Yale e Notre Dame e viajava muito fazendo palestras nos Estados Unidos. Um dia, sentado na sala de trabalho de uma amiga após uma longa e exaustiva jornada de trabalho, seu olhar foi capturado pela cena de um pôster preso à porta que retratava um homem idoso e bem vestido abraçando um jovem maltrapilho, ajoelhado diante dele. Seus olhos não conseguiam se desviar do quadro e, principalmente, das mãos cheias de compaixão, perdão e amor do homem mais velho.  Tudo o que ele parecia precisar estava contido naquele carinhoso abraço de pai e filho. Mas aquele abraço do pôster capturou também sua alma e ficou impresso de uma forma mais profunda do que qualquer manifestação passageira de apoio emocional, incitando a autor a uma jornada espiritual de encontro ao Pai.</p>
<div id="attachment_709" class="wp-caption alignright" style="width: 217px"><a href="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/02/tela-Rembrant.png"><img class="wp-image-709 " alt="Pintura de Rembrandt" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/02/tela-Rembrant-259x300.png" width="207" height="240" /></a><p class="wp-caption-text">Pintura de Rembrandt</p></div>
<p style="text-align: justify;">     Três anos depois de ter conhecido a pintura de Rembrandt, Henri Nouwen foi até o museu Hermitage em São Petersburgo, Rússia, onde estava a obra original, uma tela pintada em óleo medindo 2,5m de altura por 1,8m de largura. A pintura apresenta no plano principal um homem idoso envolto num amplo manto vermelho tocando afetuosamente o ombro de um jovem mal vestido. Circundando essa cena principal, aparecem quatro observadores: duas mulheres no plano de trás, um homem sentado e aparentando meia idade também no plano posterior e outro homem jovem do lado direito da cena, de pé, bem vestido, observado o abraço do pai e filho, que parece ser o filho mais velho da parábola bíblica. Durante dois dias ele ficou por horas diante da tela, observando as figuras e refletindo sobre sua vida e os diferentes papéis que ele havia assumido durante sua caminhada: ora como o filho mais novo que volta para casa, ora como o filho mais velho, ora como os outros três observadores da cena, ora como o pai que acolhe e ama incondicionalmente.</p>
<p style="text-align: justify;">      A primeira fase da jornada espiritual de Nouwen após o encontro com a pintura de Rembrandt foi a experiência de ser o filho mais moço. Durante vários anos como professor universitário, viajando por inúmeros lugares longínquos, envolvidos em várias causas, encontrando gente com os mais diferentes estilos de vida e diferentes credos, sentiu-se cansado, perdido e sem um lar. Quando vislumbrou a maneira amorosa e serena como o pai tocava os ombros do filho mais jovem e o amparava contra seu peito, sentiu a necessidade de voltar ao lar, de ser abraçado daquela forma. Por muito tempo ele se colocou na posição do Filho Pródigo que voltava à casa, antegozando o momento de ser recebido pelo Pai.</p>
<p style="text-align: justify;">      A segunda fase da jornada espiritual de Nouwen começa quando, em conversa com um amigo, esse o adverte que, talvez, Nouwen se pareça mais com o filho mais velho e não com o filho mais novo. Ele começa a refletir sobre seu papel como o filho mais velho da parábola, que sempre esteve com o pai, fazendo tudo que era esperado dele, mas que sente ciúmes e até revolta quando vê o pai recebendo o filho mais novo de volta à casa com festa e, principalmente, tanto amor e perdão. Nouwen foi o filho mais velho de sua família e sempre foi disciplinado, responsável, fiel aos princípios familiares e religiosos, obediente aos pais, professores, bispos e a Deus. Nunca havia desperdiçado seu tempo com prazeres, bebidas, drogas, sexo. Mas, de repente, Nouwen percebeu que também agira como o filho mais velho, pois, muitas vezes sentiu-se com ciúmes de seus irmãos e irmãs mais jovens que tiveram mais liberdade e coragem de se aventurarem e eram recebidos de volta com todo carinho. Sentiu inveja, raiva e ressentimento por estar sempre em casa e fazendo tudo de forma correta, enquanto os outros irmãos “aproveitavam a vida”.</p>
<p style="text-align: justify;">     Henri Nouwen percebe que, durante muito tempo, também assumiu o papel de observador, como os da cena de Rembrandt. As duas mulheres com olhares curiosos, o homem de meia idade indiferente e o jovem em posição crítica e olhar de inveja, são todas expressões de não envolvimento direto com a cena principal. Durante o tempo em que Nouwen foi professor de várias universidades, mesmo transmitindo aos alunos conhecimentos teológicos e indicando-lhes os diversos caminhos espirituais para se chegar a Deus, não conseguia sair de uma posição cômoda de observador e crítico. Sabia proferir eloqüentes palestras, escrever livros, argumentar e analisar situações, aconselhar, mas não conseguia sair das margens da cena e se envolver completamente com o Pai.</p>
<p style="text-align: justify;">   Depois de algum tempo que Nouwen visitou o Hermitage tomou uma decisão: deixar toda vida acadêmica e ir morar e trabalhar numa comunidade de doentes mentais do Canadá como guia espiritual. Optar por essa mudança radical, deixando para trás sua vida brilhante como professor universitário e ir morar com pessoas marginalizadas, desprezadas, rejeitadas pela sociedade foi um passo importantíssimo em direção ao pai que abraça o filho. Durante muito tempo, Nouwen procurou proteção e segurança entre os eruditos e talentosos, mal compreendendo que as coisas do Reino eram reveladas aos “pequeninos”. Não foram anos fáceis. Nouwen enfrentou depressão, mas, finalmente, viu-se no papel de pai que acolhia os doentes mentais sem lhes fazer perguntas e sem esperar nada em troca, com compaixão e amor.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro <i>A volta do Filho Pródigo</i> de Henri Nouwen é uma viagem espiritual dentro de nós mesmos, onde também nos descobrimos exercendo os diferentes papéis vividos pelo autor e nos faz refletir sobre a vida e para onde queremos ir. “A volta do filho pródigo é um livro de muita beleza, tanto na limpidez de sua sabedoria quanto na beleza assustadora da transformação que somos chamados a realizar” (New Oxford Review).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p><em><strong><br />
<a href="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/02/MartaMedeiros-150.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1009" alt="MartaMedeiros-150" src="http://www.blogdacasa.ufc.br/wp-content/uploads/2015/02/MartaMedeiros-150.jpg" width="116" height="150" /></a>Profa. Dra. Marta Maria das Chagas Medeiros</strong></em></p>
<p><em> Curso de Medicina – FAMED/UFC<br />
mmcmedeiros@hotmail.com</em></p>
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